Telemedicina

Telemedicina

Desafios da relação tecnológica

O Conselho Federal de Medicina anunciou no começo de 2019 uma nova regulamentação (Resolução nº 2.227/18) para a telemedicina no Brasil. A medida foi resultado de dois anos de discussões e deixa clara a forma que a prática será empregada em território nacional: a relação médico-paciente presencial como premissa obrigatória, sendo o atendimento à distância possível após consulta presencial com o mesmo profissional (se ambos – médico e paciente – estiverem de acordo)".

Pensar ambientes digitais adequados para a prática. Diferente das redes sociais, esses ambientes devem abrigar uma confiabilidade e segurança para se “estar” e lá desenvolver o benefício do acesso à profissionais de saúde de excelência, acesso à múltiplas opiniões sobre complexos casos, resolução imediata de dúvidas rotineiras, etc.

Introduzido isso, abro um pouco o leque da discussão trazendo a principal característica para essa prática funcionar, o investimento constante em tecnologia. A telemedicina é, segundo o texto do CFM, "o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde". Dentro da área, tem-se as divisões: teleconsulta, telediagnóstico e a importante preocupação com a segurança dos dados do paciente. Essa questão última sendo trabalhada com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que chegou para que os usuários tenham resguardo com suas informações online. Para se ter segurança com os dados pessoais, investimentos em bancos de dados confiáveis, serviços de proteção e muito dinheiro gasto em desenvolvimento de tecnologia nessa direção para baratear custos. Para se ter uma experiência humana aceitável nessa prática de consulta à distância, bons equipamentos são necessários para estabelecer conforto ao atendimento. Tecnologia. Segurança. Dois pilares de milhares de start ups que eclodem todos os anos mundo afora. A teleconsulta, também segundo o texto do conselho, é posta da seguinte maneira na resolução “consulta médica remota, mediada por tecnologias, com médico e paciente localizados em diferentes espaços geográficos”. Qual a oportunidade nisso apresentado? Pensar ambientes digitais adequados para a prática. Diferente das redes sociais, esses ambientes devem abrigar uma confiabilidade e segurança para se “estar” e lá desenvolver o benefício do acesso à profissionais de saúde de excelência, acesso à múltiplas opiniões sobre complexos casos, resolução imediata de dúvidas rotineiras, etc. O caminho para sucesso nessa área, para aqueles que querem trabalhar inovação com a crescente implementação da telemedicina no mundo é criar soluções confiáveis, com a robustez de segurança adequada, mas, principalmente, colocar o carinho da criação em produtos e serviços que pense no ser humano, no trato pessoal, no indivíduo. Em um mundo cada vez mais conectado onde as pessoas se isolam por causa dos mesmos aparelhos tecnológicos que as unem, pensar em inovações que facilitem a vida, mas afastem a relação pessoal cotidiana é abominável.

Ricardo Fernandes, é jornalista e CCO da CBD Vida